Fui comprar mantimentos. A tremer. Para me ir embora. É só uma viagem. Saio pela fronteira terrestre e apanho um comboio. O primeiro que disser para longe. Muito. Tenho tudo. Um saco para me vestir, outro para me alimentar. Uma lâmina de barbear. Pouco mais. As cartas escritas em cima da mesa. A explicar a quem precisa de explicação. E desapareço. Para lá da minha visibilidade. Para montanhas distantes. Onde não há ninguém que chega. Do passado. Onde tudo é belo. Onde há ar. E tempo limpo. Tempo sem horas. Sem dias.
Volto. Porque tenho que voltar. Um dia.
Estava tão furioso. Tão desesperado. Desde a manhã. Que não tenho mesmo outra saída.